quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Sem Titulo, mas com o Coração...




Foi neste lugar, que comecei a publicar o que ia escrevinhando, já lá vão uns quantos anos.
Neste lugar conheci amigos que, mesmo na virtualidade me conseguiram encher o coração.
Muitos foram os que chegaram sem avisar, e nem tantos os que saíram. Outros porém, permaneceram à porta, talvez por mau feitio meu.
Apesar do balanço ser positivo, dou comigo a pensar que não consigo; por uma questão de gestão do meu tempo, dar reciprocidade à interação que de uma forma muito carinhosa, recebo sempre que por aqui passo. 
Portanto, se não me virem nos próximos tempos, já sabem que é apenas cansaço, e que o apreço e consideração que tenho por todos continua inabalável.
É com muita gratidão que me dirijo a todos vós, que abrilhantaram os meus escritos durante os últimos anos, incentivando-me a escrevinhar as minhas emoções mais profundas, com o carinho da vossa leitura e da vossa presença.


Mas agora, só por um bocadinho, vou ali ver o que se passa lá fora...

Talvez um dia volte a voar com os pássaros...


(eu)

Imagem- Google



segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Laços



Este não sei quê, sem nome sem lugar,
esta sensação de não ser vista,
este sentimento que me habita 
de não pertença, 
este não merecimento da terra 
ou da nascença, 
não serão motivo  para que desista.

Talvez não seja terrena a minha fortuna,
na veemência lasciva com que liberto a dor,
tornando fecundo  este pacto de amor...

Liberta estou do que me aprisionava,
sem saber porquê me emaranhava em laços,
que me despiam a carne e me prendiam os braços...


(eu)

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

21 de Agosto de 2014


Para ti, hoje no teu dia e sempre, muitas Felicidades...
Parabéns por mais um ano de vida, em harmonia, saúde e comunhão de afectos. Nossos, muito nossos...!



Nasceste numa tarde de sol. E eu, muito pequenina, ainda só via o interior do útero materno. Mas o meu coração já pulsava por ti.
Vieste preparar o mundo para que não o estranhasse à chegada quando nascesse. E deixaste-me como sinal, uma passadeira florida de anos verdejantes, que percorri copiosamente em direcção à imensa estrela azul.
O mesmo ano nos acolheu e prometeu uma vida longa e plena, neste pedaço de terra fértil, onde hoje vemos amadurecer os frutos que plantámos com seiva cristalina de um amor que enalteceu todos os horizontes, como sopro de uma vida.
Demorámos dezanove anos para nos encontrarmos . Até que um dia, um flash luminoso nos cruzou os olhares e vimos a estrela prometida... há muitos, muitos, anos luz.
Tantos são já os dias azuis que se seguiram à expansão cósmica na escala do tempo da nossa consciência.
Será que ainda questionas o tamanho do meu amor?
É do tamanho de tudo o que existe, ou talvez do que não existe, mas que tu podes imaginar...quem sabe, do que tu nem sequer imaginas, ou talvez ainda um pouco maior: uma extensão da estrela azul no infinito do teu olhar...

Afinal sou tudo aquilo que sentes em mim...

Ou apenas: 

Sou-Te! 

Agora e sempre...



(eu)

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Horas Desmarcadas



Eram 17:05 e não estavas lá...

Ceguei porque não te vi 
e segui com os olhos em linha recta 
os ríctus das máscaras que viajavam sonâmbulas
embaladas pelo som metálico dos carris.

Ensurdeci porque não te vi 
e permaneci em pé
sobre a plataforma móvel entre duas carruagens.
Os pés desalinhados buscavam os teus,
procuravam-te para que permanecesses.

A ausência do beijo às 17:05
o tempo sem tempo às 17:05 
todos os relógios me ignoraram sem pedir licença 
hoje, às 17:05....

Passei a língua pelos lábios que se mantinham entreabertos
e cristalizados por não conseguirem falar....
- passava pouco das 17:05-

Emudeci, porque não te vi
Atraiçoada por um amor que me fez diminuta 
viva num corpo desabitado de carícias quando eram 17:05,
em imagens que falharam quando tudo parecia perfeito
e me obrigaram a vestir este olhar de desgosto. 

Apenas porque hoje, nenhum relógio marcou 17:05




(eu)


Imagem- Frederico Erra

sábado, 28 de Junho de 2014

Há Silêncios que não devem ser Interrompidos....o Ruído não faz parte da Consciência Pura...



Esta aflição de ser sem saber se sou,
essência materializada em palavras que não sabem dizer,
coração em ebulição na aspereza das chamas
que convulsionam uma vida a derreter-se em ondas sublimes
onde o naufrágio se adianta.

Alevanto-me no desespero e em desapego de circunstância,
reconstruo-te mais uma vez em ilusão da minha mente
e deixo-me morrer colada ao corpo que imagino teu.

Extremada fui, sem saber quem era...
Insistindo perdoar-me, sendo apenas inocente....



(eu)

Imagem- Frederico Erra