quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Anda, Vem Comigo




Há um lugar no infinito, onde todas as coisas começam. 
Como aquela luz que se acende no coração, sempre que trespassas o meu corpo.
Depois, olho-te com o meu olhar agradecido e espero o beijo que antevejo desenhar-se nos teus lábios.
Só assim poderemos juntar-nos aos pássaros, e em voo planado atravessarmos todos os vazios.
Existem abismos que não se conformam com esta fusão mais ou menos nuclear dos avessos. 
Mas eles tocam-se em todos os pontos onde se inicia a vida. Ou o brilho da luz.

Anda, vem comigo!


(eu)


Imagem - Igor Voloshin

domingo, 6 de Abril de 2014

Gritos de Amor



Hoje grito-te o meu amor
meu homem
meu príncipe 
meu amado
meu amante 
ladrão errante 
deste coração dilacerado

ah!,...como eu te amo!

Bebeste-me o sangue
o fel
a saliva
a linfa
tudo o que em mim havia 
contigo foi partilhado.

Caíste a meus pés e idolatraste-me
como deusa
entregaste-me o corpo
e eu beijei-te 
os olhos
os lábios
o peito
o ventre 
e em troca dei-te o meu poema.

ah!,...como eu te amo!

Desfolhaste -me 
os versos 
trocaste as letras
inverteste as sílabas
sugaste-lhes a alma 
tão ávido estavas 
das minhas rimas.

ah!,...como eu te amo!

No meu livro em branco 
deixaste sementes da tua poesia
quiseste-me nua
despojada
sensitiva
airosa 
e num acto de amor
escreveste um poema
chamado
Vida. 

ah!...como eu te amo...

(eu)

Imagem- Darren Hopes

domingo, 30 de Março de 2014

Lançamento da antologia poética "Poesia sem Gavetas", parte III




Para todos os amigos que não puderam estar presentes, mas que estiveram de coração, deixo um bocadinho da tarde de hoje, agradecendo o apoio e as mensagens carinhosas de encorajamento que por uma ou outra via me dirigiram.

Beijinhos para todos*



video



                                                                             









segunda-feira, 17 de Março de 2014

Fora de Tempo



Não podia imaginar sentir-me assim: quase enlouquecida, entre a nascente
que brota silenciosa do lado esquerdo do meu corpo, e o seu oposto.
Aquele que se quer mulher, que se veste de matéria coberta pela maciez da pele,
pelo perfume do beijo, pela suavidade dos lábios que impulsionam o desejo.

Continua em mim este frescor com que tão bem nos amamos, meu amor.

Gosto de acreditar que todas as palavras são fruto, ou seiva, deste abençoado bem querer.
Deste estado em que presumivelmente a minha alma se detém, para anunciar significações de outros tempos, daqueles em que nenhuma matéria orgânica se interpunha entre nós.
Nenhum desejo era necessário à fluidez da vida que emanava de uma fonte circular a rodar à volta de um eixo.
Hoje, neste lugar, não sei como moldar ao corpo estas sensações (tão bonitas), mas por vezes descabidas, desprovidas de senso comum. Ou apenas fora de tempo.
De um tempo que me parece real, mas onde os ventos tocam melodias diferentes:

O tic-tac de um relógio.
Tu e eu, e um só ponto. 
Um só sentir. 
Um único movimento vibratório.
Uma função matemática.
Um conjunto imagem.

Talvez um planeta 
- a que chamam - 
"Terra".

Talvez...

(eu)

Imagem- Igor Kozlovsky and Marina Sharapova

domingo, 9 de Março de 2014

A Corrida da Felicidade


Correu, 
como se quisesse alcançar o céu, 
como se o corpo fosse um fragmento de luz 
desprendido do lugar 
onde lhe prometeram ser sol
ou quem sabe, luar.

Correu tanto, 
que a alma lhe tremia 
sem forças para regressar.

Dentro de si transportava amor
e um coração cansado de tanto amar
e negar 
a dor que lhe doía. 

Não sucumbiu a feridas, 
a medos, a desencontros
nem tampouco à fúria das tempestades
que lhe caiam nos ombros.

Não protestou, 
não reclamou, não traiu, 
mas também não desistiu.

Aninhou-se nos escombros, 
onde permanece sorridente
a dizer-se feliz.




(eu)


Imagem - Igor.Voloshin