domingo, 30 de março de 2014

Lançamento da antologia poética "Poesia sem Gavetas", parte III




Para todos os amigos que não puderam estar presentes, mas que estiveram de coração, deixo um bocadinho da tarde de hoje, agradecendo o apoio e as mensagens carinhosas de encorajamento que por uma ou outra via me dirigiram.

Beijinhos para todos*



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segunda-feira, 17 de março de 2014

Fora de Tempo



Não podia imaginar sentir-me assim: quase enlouquecida, entre a nascente
que brota silenciosa do lado esquerdo do meu corpo, e o seu oposto.
Aquele que se quer mulher, que se veste de matéria coberta pela maciez da pele,
pelo perfume do beijo, pela suavidade dos lábios que impulsionam o desejo.

Continua em mim este frescor com que tão bem nos amamos, meu amor.

Gosto de acreditar que todas as palavras são fruto, ou seiva, deste abençoado bem querer.
Deste estado em que presumivelmente a minha alma se detém, para anunciar significações de outros tempos, daqueles em que nenhuma matéria orgânica se interpunha entre nós.
Nenhum desejo era necessário à fluidez da vida que emanava de uma fonte circular a rodar à volta de um eixo.
Hoje, neste lugar, não sei como moldar ao corpo estas sensações (tão bonitas), mas por vezes descabidas, desprovidas de senso comum. Ou apenas fora de tempo.
De um tempo que me parece real, mas onde os ventos tocam melodias diferentes:

O tic-tac de um relógio.
Tu e eu, e um só ponto. 
Um só sentir. 
Um único movimento vibratório.
Uma função matemática.
Um conjunto imagem.

Talvez um planeta 
- a que chamam - 
"Terra".

Talvez...

(eu)

Imagem- Igor Kozlovsky and Marina Sharapova

domingo, 9 de março de 2014

A Corrida da Felicidade


Correu, 
como se quisesse alcançar o céu, 
como se o corpo fosse um fragmento de luz 
desprendido do lugar 
onde lhe prometeram ser sol
ou quem sabe, luar.

Correu tanto, 
que a alma lhe tremia 
sem forças para regressar.

Dentro de si transportava amor
e um coração cansado de tanto amar
e negar 
a dor que lhe doía. 

Não sucumbiu a feridas, 
a medos, a desencontros
nem tampouco à fúria das tempestades
que lhe caiam nos ombros.

Não protestou, 
não reclamou, não traiu, 
mas também não desistiu.

Aninhou-se nos escombros, 
onde permanece sorridente
a dizer-se feliz.




(eu)


Imagem - Igor.Voloshin

segunda-feira, 3 de março de 2014

Ponto Luminoso





Ainda há em mim uma réstia de sangue que me aquece a vida.
Há uma artéria azulada, onde a paixão habita, mais ou menos a dois terços e meio do espaço que vai dos lábios ao coração.
E o beijo, é a luz a iluminar o caminho como sol que se expande penhasco abaixo, em direcção ao rio. 
A poesia é o ponto luminoso situado exactamente ao centro da língua, que impulsiona o desejo pelo poema pousado em mãos grávidas, cujos dedos ignóbeis - diria até perversos- consumidos pela impotência 
impunemente imposta pela razão, cortam as asas ao voo, e deixam os versos caírem no chão. Abortando-os. Matando-os,
um pouco antes do momento em que pudessem nascer. 
E assim, cessa o desejo que alimenta o poeta. 
No auge do seu momento inspiratório desfalece, sufocado pela réstia que ainda lhe sobrava de ar ou sangue.
E prontifica-se a reinventar-se num outro qualquer lugar.

***

Ao centro da língua , 
renasce-me um ponto luminoso. 
E na boca, uma artéria azulada, 
por onde flui o sangue 
que me impulsiona a vida.

(eu)


Imagem - Tatiana Parcero